A investigação da Polícia Federal sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo trouxe novos detalhes sobre o ambiente operacional da companhia antes do acidente que matou 62 pessoas.
A CBN Campinas teve acesso ao depoimento de Carlos Alberto Costa, que ocupava o cargo de diretor de manutenção da empresa e está entre os 16 indiciados pela Polícia Federal. Segundo o relatório, ele responde por crimes relacionados ao atentado contra a segurança do transporte aéreo que culminou na queda da aeronave.
Durante a oitiva, o executivo afirmou que existia uma pressão constante dentro da companhia para manter a frota em operação. Segundo ele, a cobrança diária era para saber quando aeronaves paradas por manutenção poderiam voltar a voar, já que qualquer atraso afetava passageiros, aeroportos e toda a malha da empresa.
Apesar disso, o diretor negou que houvesse orientação para liberar aeronaves com falhas ou para deixar de registrar problemas técnicos. Segundo o depoimento, a pressão era por prazo e disponibilidade de frota, e não para descumprir normas de segurança.
A conclusão da Polícia Federal foi diferente. O inquérito apontou uma cultura de omissão de falhas dentro da Voepass. De acordo com os investigadores, problemas recorrentes no sistema de degelo deixavam de ser registrados formalmente nos livros técnicos da aeronave, impedindo ações corretivas da manutenção e permitindo que os aviões continuassem operando.
No depoimento, Carlos Alberto Costa afirmou ainda que o Centro de Controle Operacional era o setor responsável por concentrar informações sobre voos, manutenção e meteorologia. Segundo ele, se os problemas enfrentados pela aeronave tivessem sido formalmente reportados entre os setores da empresa, a operação poderia ter sido alterada para evitar a exposição ao gelo severo registrado no dia do acidente.
A Polícia Federal concluiu que a queda ocorreu por uma combinação de falhas no sistema de degelo, acúmulo de gelo nas asas e descumprimento de procedimentos operacionais previstos para esse tipo de situação.
O caso agora está sob análise do Ministério Público Federal, que vai decidir se apresenta denúncia criminal contra os 16 indiciados. Paralelamente, a Associação dos Familiares das Vítimas informou que prepara uma ação civil coletiva para buscar reparação pelos danos causados pelo acidente.
