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Presidente da Voepass admite conhecer prática de omissão de falhas

A CBN Campinas teve acesso ao depoimento prestado à Polícia Federal pelo presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, durante a investigação criminal sobre a queda do avião da companhia

Voepass
Foto: Câmara dos Deputados

A CBN Campinas teve acesso ao depoimento prestado à Polícia Federal pelo presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, durante a investigação criminal sobre a queda do avião da companhia em Vinhedo, em agosto de 2024. No relato, ele admitiu que já tinha conhecimento da prática de pilotos deixarem de registrar falhas técnicas nos livros de bordo das aeronaves. 

A declaração vai ao encontro de uma das principais conclusões da Polícia Federal. O inquérito apontou que a empresa desenvolveu uma cultura de omissão de falhas, o que permitiu que problemas recorrentes no sistema de degelo permanecessem sem registro formal e sem a devida atuação da manutenção. 

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Durante a oitiva, José Luiz Felício Filho afirmou que a própria Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, já havia alertado a companhia sobre esse comportamento. Segundo ele, alguns pilotos deixavam para relatar problemas apenas em aeroportos onde existia estrutura de manutenção disponível. 

O presidente também reconheceu que a aeronave que caiu não deveria estar operando naquelas condições. Segundo o depoimento, o avião não deveria ter permanecido em uma região com previsão de gelo severo e nem ter sido exposto por tanto tempo àquelas condições meteorológicas. 

Ao ser questionado sobre a responsabilidade pelo voo, ele afirmou que houve falhas tanto no despacho operacional quanto na condução feita pela tripulação. Na avaliação apresentada à Polícia Federal, o despachante autorizou a operação e os pilotos seguiram o planejamento recebido. 

Apesar disso, José Luiz Felício Filho tentou se afastar das decisões operacionais do dia a dia da empresa. Ele declarou que exercia uma função estratégica e institucional e que questões ligadas à manutenção, segurança operacional e despacho dos voos ficavam sob responsabilidade de diretores e gerentes. 

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No depoimento, o presidente também afirmou que a empresa era fiscalizada com frequência pela Anac e reconheceu que havia processos e apontamentos relacionados à operação e à manutenção da frota. 

A Polícia Federal concluiu o inquérito no fim de julho e indiciou 16 pessoas ligadas à Voepass, entre elas o próprio presidente da companhia. O caso agora está sob análise do Ministério Público Federal, que vai decidir se apresenta ou não denúncia à Justiça. 

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