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OSC internacional vai construir centro contra a exploração infantojuvenil em Campinas

Parceira na Lei da Escuta Protegida, World Childhood enviou comitiva para conhecer o CEPROMM, no Jardim Itatinga
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Espaço dedicado à cultura maker no CEPROMM (Foto: Kevin Kamada/CBN Campinas)

Uma recepção calorosa, com uma roda de capoeira formada por crianças, marcou a visita da comitiva da organização sem fins lucrativos World Childhood Foundation (WCF) nesta quinta-feira (5) ao Centro de Promoção para um Mundo Melhor (CEPROMM), no Jardim Itatinga, em Campinas.

Durante três horas, o grupo conheceu as diferentes atividades do CEPROMM, que completa 33 anos de atuação em um território sensível.

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O Jardim Itatinga faz 60 anos em 2026 e já foi o maior polo de prostituição da América Latina. Hoje, as marcas sociais estão por todo lado: na estigmatização das famílias, especialmente das mulheres em situação de prostituição, e na violência e exploração sexual de crianças e adolescentes.

A visita da comitiva internacional marcou o início de um capítulo importante para a transformação dessa realidade: o anúncio da construção do futuro Centro de Atendimento Integrado (CAI), no Parque Itália. O complexo vai unir uma série de serviços de assistência para crianças e contatará com o apoio da World Childhood Foundation para mobilizar empresários que viabilizem a construção do espaço.

A Childhood Brasil já está presente em Campinas com a execução de projetos e ações do programa Proteção Integral. A iniciativa estruturou a implementação da Lei da Escuta Protegida em Campinas, que capacita pessoas a acolher crianças e adolescentes vítimas de violência.

A coordenadora do programa, Fernanda Cassador, lembra que a proteção do jovem é um dever intersetorial executado a várias mãos.

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“Por a gente ter aqui um fenômeno que se mostra muito complexo, que envolve famílias, envolve vínculos afetivos, envolve uma situação econômica, envolve tanta coisa, envolve a nossa cultura — a cultura brasileira, que é uma cultura violenta, que estimula a violência —, a gente precisa, de fato, olhar para essa questão de forma total, da crença, qual é o nosso objetivo, qual é a nossa missão: que é, de fato, envolver todos os setores da sociedade”, comentou.

OSC internacional vai construir centro contra a exploração infantojuvenil em Campinas
No encerramento da visita, a comitiva visitou o jardim sensorial do CEPROMM, um espaço pensado para promover o contato das crianças com a natureza (Foto: Kevin Kamada/CBN Campinas)

Levantamentos realizados pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania mostram que oito em cada 10 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil são cometidos por agressores que integram ou conhecem as famílias.

O coordenador do programa Primeira Infância Campineira (PIC), Thiago Ferrari, afirmou que a construção do novo centro fortalece a rede de apoio com o enfrentamento interinstitucional.

“É um lugar onde vai brigar Poder Público, Executivo Municipal, Ministério Público, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal, Conselho Tutelar… São diversos atores que se mobilizam para a gente poder construir essa rede e fazer com que haja um fluxo de atendimento para que a criança não seja revitimizada e ter um olhar contínuo para ela. Não é só apurar a violência que ela sofreu. É apurar, responsabilizar a violência que ela sofreu e, ao mesmo tempo, cuidar dessa criança ao longo da vida dela”, ressaltou.

Pensado para acolher e combater a exploração sexual, o novo centro vai importar a expertise de mais de três décadas do CEPROMM em um trabalho de excelência no acolhimento às famílias do Jardim Itatinga.

Mantido pela Prefeitura, pela Fundação FEAC e por parceiros da iniciativa privada, o CEPROMM se tornou uma referência para que crianças (a partir de 1 ano e 8 meses), adultos e idosos — especialmente as mulheres — conheçam novos futuros por meio da capacitação. O local atende cerca de 300 pessoas por dia.

O CEPROMM também mantém uma série de projetos sociais bem-sucedidos, como a padaria Sabor do Bem, que ensina interessados a produzirem pães, doces e salgados: uma mão estendida para o amanhã de dezenas de famílias.

Fernanda Ferreira, coordenadora-geral do CEPROMM, lembra que a existência de uma entidade como esta mostra que é preciso ler e responder às demandas sociais e particularidades de cada território.

“Porque o Jardim Itatinga, por ser uma zona de prostituição, tem situações de muita especificidade aqui no território. Muitas situações de violações de direitos, tanto de criança, adolescente, das mulheres em situação de prostituição que nós atendemos. E, sem dúvidas, ter um centro de atendimento integrado irá fazer muita diferença. O nosso desejo, a nossa meta, é que tenha serviços da política pública dentro do território. E o que nós observamos é essa dificuldade de acesso a serviços de políticas públicas. Então, ter serviços dentro do território, sem dúvidas, irá favorecer o acesso aos direitos dessas pessoas que aqui convivem e que aqui trabalham”, afirmou.

No acolhimento e na capacitação profissional, o CEPROMM exercita diariamente o verbo ensinar. Para o membro do Conselho Curador da Fundação FEAC, Luís Norberto Pascoal, o fortalecimento de territórios como o Jardim Itatinga passa pelo resgate da educação de qualidade desde a primeira infância.

“Esse foi um projeto que a FEAC começou e depois a Fundação Educar entrou, e a Childhood também, de ajudar as comunidades a pensarem diferente. A gente falava — eu conversei muito nessas casas de prostituição — sobre o que elas queriam. Inclusive, esse projeto nasceu disso: elas não queriam que as filhas seguissem por esse caminho. Então é interessante compreender que as doenças sociais existirão sempre. O que nós precisamos ter é estímulos empresariais para você movimentar a sociedade a se autocuidar. Quando você deixa tudo para o Estado cuidar, o Estado não terá condição. Não existe Estado capaz de gerar recurso para cuidar sozinho. Sempre teremos que fazer uma comunicação intensa, bem estruturada, entre comunidade e Estado para tudo”, ponderou.

Durante a visita, ainda ao som da roda de capoeira, uma jovem acompanhava a movimentação com os olhos marejados. Aos 31 anos, a analista de sustentabilidade, Jéssica Esteves, lembrou o papel do CEPROMM em sua vida desde a infância, permitindo que recuperasse um bem imaterial que a fez voar mais alto: a confiança.

“Pra mim dá uma nostalgia, ao mesmo tempo aquece o coração, porque pensar que todas essas crianças podem ter um futuro igual ou melhor que o meu… Porque eu falo que onde eu cheguei, onde eu estou, já é mais do que eu poderia imaginar. Então, só de pensar que essas crianças poderão ter um futuro igual ou melhor que o meu, já me enche o coração”, contou.

OSC internacional vai construir centro contra a exploração infantojuvenil em Campinas
Emocionada, Fernanda relembrou da infância no CEPROMM e do legado da organização na sua formação (Foto: Kevin Kamada/CBN Campinas)

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