Uma operação realizada nesta terça-feira pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) apura a participação de agentes públicos em esquemas ligados ao PCC com o objetivo de planejar um atentado contra um promotor de Justiça em Campinas.
A ação também investiga a suspeita de que integrantes da organização criminosa tenham conseguido se infiltrar em estruturas do próprio Ministério Público para obter informações sigilosas e praticar extorsões.
Ao todo, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária. Em Campinas, são dois mandados de prisão, sendo um cumprido pelo 1º BAEP e o outro pela Corregedoria da Polícia Civil. Outro mandado de prisão está sendo cumprido na cidade de Cardoso/SP.
Já dos 10 mandados de busca e apreensão, nove são em Campinas e um na cidade de Cardoso.
Segundo o MP, as apurações revelaram novos indícios de atuação da organização criminosa, incluindo o vazamento de informações protegidas, corrupção de servidores e utilização de dados sigilosos para favorecer atividades ilegais.
Um dos focos da investigação está relacionado ao plano para assassinar o promotor do GAECO Amauri Silveira Filho. Durante a análise do material apreendido ao longo da Operação Pronta Resposta, deflagrada em agosto de 2025, os investigadores identificaram registros que apontam para um encontro entre um dos suspeitos de coordenar a execução do atentado e um chefe de investigadores da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DISE) de Campinas.
De acordo com o GAECO, vídeos encontrados durante a investigação mostram a reunião ocorrida poucos dias antes da operação que interrompeu o suposto plano criminoso. Agora, o MP busca esclarecer se houve compartilhamento de informações estratégicas ou sigilosas que pudessem beneficiar os investigados.
Outra frente da operação apura um esquema de extorsão que teria como alvo integrantes da própria organização criminosa. Conforme as investigações, um estagiário que atuava em uma Promotoria Criminal de Campinas é suspeito de utilizar o acesso a sistemas internos para identificar criminosos com elevado poder financeiro e, posteriormente, exigir dinheiro em troca de suposta proteção contra investigações.
Os promotores apontam que o suspeito teria ingressado de forma proposital na instituição para facilitar a prática dos crimes. As apurações indicam ainda a participação de outros agentes públicos, entre eles um policial penal e um ex-policial civil que já havia sido desligado da corporação após condenação relacionada a extorsão mediante sequestro.
Também foram reunidos indícios de que parte das ações investigadas pode ter sido realizada por meio da conexão de internet de um escritório de advocacia, o que motivou diligências específicas acompanhadas pela Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Por envolver suspeitos ligados às forças de segurança pública, a operação contou com a atuação das corregedorias responsáveis, que acompanharam o cumprimento das medidas judiciais determinadas durante a investigação.
